Como a Psicologia Atua na Assistência Social (SUAS)
Abordagem mais ampla sobre a função da psicologia dentro do SUAS, com destaque para direitos, proteção e vulnerabilidade social.
ASSISTÊNCIA SOCIALPSICOLOGIASUAS
Iury Ramos
11/25/20255 min read


Psicologia e Assistência Social: Dicas e Dúvidas
A psicologia dentro da Assistência Social não atua apenas com o indivíduo, mas com famílias, territórios e contextos de vulnerabilidade. Neste artigo, você vai entender o que o psicólogo faz no CRAS e no CREAS, como funciona o SUAS na prática e quais caminhos seguir quando precisar de apoio psicossocial.
O papel da psicologia dentro do SUAS
O Sistema Único de Assistência Social (SUAS) organiza a proteção social em dois níveis: Proteção Social Básica e Proteção Social Especial. Em ambos, a psicologia ajuda a compreender o sofrimento humano a partir da realidade social, econômica e familiar em que as pessoas vivem.
Na prática, o psicólogo contribui para:
compreender o contexto social da família;
fortalecer vínculos afetivos e comunitários;
construir estratégias de enfrentamento diante de crises;
proteger indivíduos em situação de risco e violação de direitos;
promover autonomia, dignidade e acesso a direitos;
articular a rede de serviços (saúde, educação, justiça, trabalho, habitação).
O foco não é apenas “tratar sintomas”, mas pensar a pessoa inserida em relações, histórias e condições concretas de vida.
CRAS e CREAS: onde a psicologia aparece?
De forma resumida, podemos pensar assim:
CRAS – Proteção Social Básica: atua com famílias em situação de vulnerabilidade social, prevenção de rompimentos de vínculos e agravamentos.
CREAS – Proteção Social Especial: atende famílias e indivíduos em situação de violação de direitos já instalada, como violência, abuso, negligência e outras formas de risco.
Em ambos os equipamentos, a psicologia atua integrada à equipe multiprofissional, ao lado de assistentes sociais, educadores sociais, orientadores e outros profissionais.
Dúvidas comuns sobre psicologia na Assistência Social
1. Psicólogo no CRAS faz terapia?
Não no mesmo formato tradicional de consultório. O trabalho do psicólogo no CRAS é psicossocial. Isso significa que a escuta acontece articulada à realidade da família, aos benefícios sociais, às condições de moradia, trabalho, cuidado com crianças e idosos, entre outros fatores.
O foco está em:
escuta e acolhimento inicial;
orientação em momentos de crise;
grupos e oficinas de convivência;
acompanhamento familiar pelo PAIF;
articulação com a rede de saúde, educação e justiça, quando necessário.
2. Psicólogo no CREAS faz atendimento clínico?
No CREAS, o psicólogo atua principalmente na proteção e acompanhamento de famílias em situação de violação de direitos. Ele realiza escuta especializada, participa da elaboração de planos de atendimento e acompanha famílias em situações de violência, abuso, negligência, ameaças, situação de rua, entre outras.
Apesar de ter uma base clínica na escuta, o objetivo não é oferecer psicoterapia tradicional, e sim construir estratégias de proteção, cuidado e reorganização da vida da pessoa e de sua família.
3. Preciso estar em sofrimento emocional para procurar o CRAS?
Não necessariamente. O CRAS é um espaço que trabalha com situações de vulnerabilidade social de forma ampla:
desemprego e dificuldades financeiras;
conflitos familiares e fragilidade nos vínculos;
necessidade de acesso a benefícios sociais (como Bolsa Família, BPC, etc.);
dúvidas sobre direitos e serviços públicos disponíveis;
isolamento social e dificuldades de participação comunitária.
É claro que o sofrimento emocional aparece em muitos desses contextos, e o psicólogo pode ajudar a organizar essas questões.
4. O psicólogo da Assistência Social dá diagnóstico?
Em geral, não é esse o foco principal. A avaliação do psicólogo na Assistência Social é socioemocional, voltada para a compreensão da dinâmica familiar, dos vínculos, da rede de apoio e das condições sociais.
Quando há necessidade de diagnóstico clínico ou acompanhamento médico, o psicólogo articula encaminhamentos para a rede de saúde.
5. O atendimento é sigiloso?
Sim. O psicólogo segue o Código de Ética Profissional, que prevê sigilo e proteção das informações compartilhadas. Em casos de risco à vida ou violação grave de direitos, o profissional pode acionar outros serviços para garantir proteção, sempre com responsabilidade técnica e ética.
Como funciona o atendimento com psicólogo no CRAS e no CREAS?
Atuação no CRAS (Proteção Social Básica)
No CRAS, o psicólogo costuma atuar em:
Acolhimento e escuta inicial – primeira conversa para entender a demanda da família;
Visitas domiciliares – quando necessário, para compreender melhor o contexto de vida;
Grupos e oficinas – temas como convivência, parentalidade, autoestima, organização da rotina;
PAIF – acompanhamento familiar continuado, com foco na prevenção de rompimentos de vínculos;
Articulação com a rede – encaminhamentos para saúde, escola, Justiça, habitação, entre outros.
Atuação no CREAS (Proteção Social Especial)
Já no CREAS, a atuação envolve:
Escuta especializada em situações de violência, abuso, negligência e outras violações de direitos;
Acompanhamento pelo PAEFI – Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos;
Trabalho em rede com Conselho Tutelar, Judiciário, Ministério Público, escolas, saúde;
Grupos de apoio, quando possível, para fortalecimento de vítimas e famílias;
Registro técnico cuidadoso, respeitando o sigilo e a ética profissional.
Dicas práticas para quem precisa de apoio na Assistência Social
1. Procure o CRAS mais próximo da sua casa
O CRAS é a porta de entrada oficial da Assistência Social. Mesmo em situações mais graves, ele pode orientar qual o melhor serviço para o seu caso e fazer os encaminhamentos necessários.
2. Não espere a situação “explodir”
A Assistência Social também trabalha com prevenção. Buscar ajuda quando a dificuldade está começando pode evitar que a situação chegue a um ponto de ruptura ou sofrimento extremo.
3. Leve informações importantes sobre a sua realidade
Falar sobre renda, composição familiar, histórico de conflitos, mudanças recentes e rede de apoio facilita o entendimento da equipe e contribui para um acompanhamento mais adequado.
4. Esteja aberto a atendimentos individuais e coletivos
Muitas vezes, a mudança acontece em grupos, oficinas e espaços coletivos de convivência. Esses encontros fortalecem vínculos, ampliam a visão sobre a própria história e mostram que outras pessoas também enfrentam desafios parecidos.
5. Lembre-se: você tem direito a ser acolhido
A Assistência Social existe para garantir proteção social às pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade. Se você se encontra em um contexto assim, pedir ajuda não é favor — é direito.
Dica extra: em situações de violação grave de direitos (violência física, sexual, psicológica, abandono, trabalho infantil), procure imediatamente o CREAS, o Conselho Tutelar ou outro serviço de emergência do seu município.
Como a psicologia contribui para mudanças reais
A Psicologia na Assistência Social ajuda a transformar realidades que, muitas vezes, estão atravessadas por pobreza, violência, exclusão e falta de oportunidades. Ao unir escuta, orientação e articulação com a rede, o psicólogo contribui para:
fortalecer a autoestima e o senso de capacidade das pessoas;
romper ciclos de violência e repetição de padrões destrutivos;
estimular autonomia e protagonismo das famílias;
ampliar o acesso a direitos sociais e políticas públicas;
criar espaços de fala para quem historicamente foi silenciado.
É um trabalho que não aparece apenas em números e relatórios, mas no cotidiano de pessoas que, pouco a pouco, vão reconstruindo sua história com mais segurança, dignidade e sentido.
A Psicologia e a Assistência Social caminham juntas na construção de uma sociedade mais justa e humana. Dentro do SUAS, o psicólogo atua com acolhimento, orientação e proteção, sempre considerando a realidade social e familiar de cada pessoa.
Se você está vivendo uma situação de vulnerabilidade, conflito familiar, violência ou simplesmente sente que não está conseguindo lidar sozinho com as demandas do dia a dia, procurar o CRAS ou o CREAS pode ser um passo importante. Cuidar da sua saúde mental e social também é um ato de cuidado consigo mesmo e com quem caminha ao seu lado.
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